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Disparidade de gênero ainda é tabu nos cursos superiores; veja os números da UFCA

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  • há 1 dia
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Dados analisados pelo DataJor Cariri revelam uma assimetria significativa entre estudantes do sexo masculino e feminino em algumas áreas do conhecimento.


Por: Raíssa Eufrásio


A Universidade Federal do Cariri (UFCA) apresenta disparidades de gênero em alguns dos cursos de graduação ofertados. Os dados enviados ao DataJor Cariri pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) por meio da Lei de Acesso à Informação, revelam o curso de Engenharia de Software, ofertado no campus Juazeiro do Norte, possui a maior concetação de alunos do sexo masculino, com 86,67% homens matriculados e apenas 13,33% mulheres. Por outro lado, o curso de Pedagogia, no campus Brejo Santo, apresenta maior concentração feminina, com 94,85% de mulheres e somente 5,15% de homens.


Também apresentam participação majoritária de mulheres os cursos de Letras-Libras, com (76,07%) e Química (75%). Já o Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) apresenta a maior predominância masculina. Além do já citado curso de Engenharia de Software, se enquadram nesse contexto as graduações em Ciência da Computação (85,22%) e Matemática Computacional (77,78%).



É importante destacar que essa realidade não se restringe apenas à UFCA, visto que o cenário se reproduz na maior parte das instituições de ensino superior no Brasil. Mas, afinal, por que isso acontece? O que leva homens e mulheres a optarem por determinadas áreas de formação? A escolha de uma profissão envolve diversos fatores que vão além da preferência pessoal, como relata Manoel Gildson, graduado em Letras-Libras: “Independentemente de quem você seja, infelizmente existem fatores que influenciam a escolha. Fatores sociais, históricos e culturais fazem parte da sociedade.”


Em uma configuração social na qual papéis de gênero ainda são reforçados por comportamentos e padrões culturais, alguns estereótipos continuam sendo reproduzidos. Essa percepção também aparece no relato de Grazielly Bibiano, aluna do terceiro semestre de Engenharia de Software: “Eu conheci outras meninas no ensino médio que queriam seguir a área da tecnologia, mas se sentem frustradas. Acho que essa é a palavra: frustradas. Pela falta de incentivo que a gente tem nas escolas”.


No entanto, a história da programação mostra justamente o contrário. As mulheres tiveram papel fundamental para o avanço da tecnologia. Um dos exemplos é o de Ada Lovelace, matemática britânica que escreveu o primeiro algoritmo da história, em 1843. Outro exemplo é Hedy Lamarr, inventora que desenvolveu um sistema de comunicação que serviu de base para tecnologias utilizadas atualmente, como Wi-Fi, GPS e Bluetooth. Apesar dessas importantes contribuições históricas, os cursos da área de computação continuam sendo predominantemente masculinos.


O DataJor Cariri é um projeto de extensão da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Os conteúdos podem ser utilizados ou reproduzidos com o devido crédito.

 
 
 

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